Pacientes com câncer relatam tratamento interrompido por falta de oncologistas no Hospital do Andaraí
Pacientes com câncer relatam tratamento interrompido por falta de oncologistas no Hospital do Andaraí Pacientes em tratamento contra o câncer relatam estar s...
Pacientes com câncer relatam tratamento interrompido por falta de oncologistas no Hospital do Andaraí Pacientes em tratamento contra o câncer relatam estar sem acompanhamento médico há meses no Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Segundo os relatos, a saída de oncologistas provocou uma sequência de cancelamentos de consultas e deixou pacientes sem previsão de atendimento e, em alguns casos, sem continuidade da quimioterapia. É o caso de José Luiz Garcia de Andrade, que chegou a ser atendido duas vezes pelo mesmo oncologista. Depois, foi informado de que o médico não trabalhava mais na unidade. Uma nova consulta foi marcada, mas acabou cancelada novamente após a saída de outra profissional. Em setembro, José Luiz recebeu uma mensagem informando que a consulta prevista para 9 de outubro de 2026 seria desmarcada. O hospital ofereceu um novo atendimento para 21 de setembro, com outra médica. Três dias antes da data remarcada, no entanto, ele recebeu outro aviso: a profissional também não trabalhava mais na unidade. Na mensagem, o hospital informou que aguardava a liberação de novas agendas pela coordenação médica. Sem uma previsão de retorno, José Luiz voltou a procurar o hospital para saber quando conseguiria dar continuidade ao tratamento. A resposta foi que a unidade ainda aguardava a contratação de novos oncologistas para convocar os pacientes. “Se não puderem me atender aqui, que me deem uma transferência para um lugar que eu possa ser atendido e resolver o meu problema, porque pra mim realmente está muito angustiante viver diariamente com a base de analgésica. É complicado”, desabafou. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 RJ no WhatsApp Pacientes relatam meses sem quimioterapia A situação também afeta outros pacientes que dependem do acompanhamento oncológico na unidade. Nazaré Falcão faz tratamento contra o câncer no Hospital do Andaraí há quatro anos. Segundo ela, está há três meses sem médico e, consequentemente, sem receber quimioterapia. “Não sei se a quimio vai continuar ou não. Estou simplesmente abandonada. Não tenho mais nada. Nem médico, nem cuidado. Nada, nada, nada”, afirmou. A diarista Áurea Cristina também aguarda uma avaliação médica. Ela conta que teve três consultas desmarcadas e está há três meses sem conseguir passar pelo oncologista. Segundo Áurea, o medicamento que utiliza foi prescrito por outro profissional, que forneceu receitas para um período limitado. Agora, ela teme ficar sem a medicação e não sabe quem será responsável pela continuidade do tratamento. “Não dão explicação nenhuma. Tem três meses que eu não faço. Como é que fica agora o meu tratamento? Eu preciso passar, preciso. Urgente. Eu estou pedindo socorro”, relatou. Prefeitura reconhece dificuldade para preencher vagas O Hospital do Andaraí foi municipalizado há dois anos. Na época, a Prefeitura do Rio recebeu R$ 100 milhões do Ministério da Saúde para ações emergenciais na unidade. Entre os compromissos anunciados estavam a contratação de 800 trabalhadores e a ampliação da capacidade de atendimento para 167 mil atendimentos por ano. Procurada, a Prefeitura informou que especialistas foram contratados para o setor de oncologia, mas reconheceu que houve dificuldades para preencher todas as vagas. Segundo o município, há um edital aberto para a contratação de novos profissionais. Um dos processos seletivos disponíveis prevê uma vaga para médico oncologista clínico, com carga horária de 12 horas. Outro edital, ainda em andamento, prevê uma vaga para oncologista clínico e outra para onco-hematologista, também com carga horária de 12 horas. Fontes ouvidas pela reportagem apontam a terceirização como um dos fatores relacionados à falta de profissionais. Segundo esses relatos, as vagas vinculadas a organizações sociais (OSs) enfrentam dificuldades para atrair médicos, além de apresentarem maior rotatividade. Hospital ainda não atingiu meta de leitos Além da falta de especialistas, a estrutura de internação do Hospital do Andaraí também está abaixo da meta anunciada após a municipalização. A previsão era de que a unidade chegasse a 450 leitos. No entanto, os números disponíveis indicam uma capacidade inferior à planejada. De acordo com o Censo Hospitalar da Secretaria Municipal de Saúde, o hospital tinha 304 leitos em dezembro de 2024. Atualmente, são 358, mas 42 estão impedidos, ou seja, indisponíveis para uso. A falta de médicos e a ausência de previsão para a retomada das consultas deixam pacientes oncológicos apreensivos com a continuidade dos cuidados. Para quem depende de acompanhamento regular e de medicamentos específicos, os cancelamentos sucessivos representam não apenas a espera por uma consulta, mas a incerteza sobre os próximos passos do tratamento. Confira a nota da prefeitura A Prefeitura do Rio declarou que, desde que assumiu a gestão do Hospital do Andaraí, contratou mais de quatro mil profissionais e reabriu serviços que estavam fechados há anos. A Prefeitura também disse que novos leitos serão abertos durante o processo de reestruturação do hospital. Sobre os pacientes mostrados na reportagem, a Secretaria de Saúde afirmou que o atendimento deles será agendado para a próxima semana.